sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Realidade transformada

O horizonte abre-se à nossa vista
Como um véu que rompe estações
Como cola que une olhos que
Não podem mais ver fora do pensamento
O horizonte simula um universo
Como casa que consegue nos situar
Como silêncio que nos angustia
Como corpo que nos complementa
O horizonte deveras transformado
Como se nós mesmos estivéssemos
Como partes que marcam nosso destino
O horizonte que surge com a madrugada
Como se levasse para casa corpos
Cansados pelos desmandos da noite
Como se convidasse a ainda de
Alguma forma continuássemos vivos
O horizonte brilha como cúpula dourada

Apontando nossa inexpugnável prisão

Resiliente

De tudo que sou nada devo ao destino
Participei sempre de um ato pessoal
Formulei fatos, criei crenças
Vivi papeis e fui dublê de mim mesmo
De tudo que poderei ser um dia
Todo ato que um dia poderei encerrar
Nada estará fora de meu controle
A felicidade não me pega na esquina
Os temores do mundo não me atingem mais
Sou o que sou e serei o que puder ser


Sacerdotisa-mãe


__ Sois o mundo todo
     Oh, grande sacerdotisa alada
__ E com o mundo então giras
__ E teu pássaro de fogo
     É nosso símbolo sagrado
     E sonhamos voar em suas asas
     Com ele viajarmos alhures
__ Sois o eterno e o indivisível
     Oh grande mestra do saber completo
     Em ti confiamos nosso passado e futuro
__ És a consciência e o puro acaso
     És o látego e a mão que afaga
__ Teu poder é imenso, oh sacerdotisa
     Campos em flor
     Viajas um mundo em segredo
      E voltas com o conhecimento necessário
__ Como seria nossa existência sem ti
     Sem teu hálito
     Nada, absoluto nada
     O vazio infindável
__ Só tu asseguras fazer o bem
     Vencer o mal
     Só tu consegues criar em nós
     Um querer que nos redime
      Só tu és o ar que respiramos
__ És nós, somos tu, unidos

     Se morres, morremos juntos

Parca existência

Anotações ao pé de página....
Qual a garantia de um acento?
O que penso não é o que enxergo
o que sinto não é o que quero
As anotações inúmeras são resto
do que um dia propus-me a ser
Correr ao longo do riacho e esperar
satisfazer necessidade premente
O que consigo olhar é o horizonte limitado
O que consigo descrever é o que
abarca meu parco conhecimento
As coisa flutuam como buraco sem sentido
Sua composição muda totalmente
(enlouquecida) a cada hora
Luto com o tempo meu corpo se transforma
O que sinto
O que penso
O que sou
quem poderá saber?
Entrego-me ao abraço
inesperado e feroz
De um tempo que dita suas regras
E que por fim me satisfaz

Até outro momento de insatisfação

A lua cheia de si


E a lua brilhava tão intensamente
que cegava aqueles sempre apaixonados
Os loucos que ousavam o novo
Fremiam-se no gramado do teatro
Cantavam e sentiam-se outro
A lua seu brilho ainda mais intenso
passeava como deusa escolhida
As mentes dominadas em seus elementos

Os sons tépidos dos gemidos

Existência II

Não cabe em mim ser algo de esperança
Do que fui e do que serei a média
Não tornaria um ser humano feliz
Mundo em que me criei e pude ser
O que for possível é o inexorável
O que sou e o que não pude ser
Dependeram de como respondi a meu desejo
O que poderei ser depende somente
De como me safarei do chamado
Dilacerante e insistente da senhora carne

Como poder ser, então?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Vozes do inferno

Eu ouço vozes que vem do além
Pronunciam o que nunca foi visto
A ascensão de certos homens ao poder
Eu ouço aqueles que clamam por
Auxílio contra os sempre disparatados
O inferno é o templo da repetição
O tempo ali para sempre paralisado
Eu ouço vozes que clamam pela dor
Pois só ela pode salvá-los da perdição
A carne marcada por vermes domados
O inferno é o paraíso do sofrimento
Lugar de tantas histórias e movimentos
Eu ouço vozes que choram desesperadas
Não reclamam do seu estado atual

Mas das possibilidades um dia perdidas