domingo, 3 de novembro de 2013

Tesão

Globos oculares que se
Arrebentam contra paredes
Aprender a ser diferente
Espiar por entre vãos-paredes
Meninos e seu sexo à mostra
Os olhos arrebentam-se no molhado
Da visão do puro e púber
Olhos e óleos que lubrificam
Sade e Justine nos colégios
O mundo a olhos vistos

Títeres


Parabéns aos oradores de plantão
Que falam sem saber o que falam
Parabéns aos grandes falastrões
Sem público e sem grana no bolso
A cidade cheia de embustes e vibradores
Parabéns aos homens que sugam outros
Evitam o peso da grande decisão
Mulheres são sempre as mesmas mulheres
Parabéns aos jovens que amam a revolução
Tão fácil é mudar primeiro o mundo
Os pensadores causam grande confusão
Parabéns aos títeres movidos a molas

Sua flexibilidade é realmente invejável!

Em meio a uma festa

Não são pessoas tristes nem alegres
São pessoas em seu esquecimento
Momento oportuno certamente
O da compreensão e do riso
Ou da entrega de presentes
Como dizer que ali existe falsidade?
O espanto bate como látego teso
Porque o momento também denuncia
Que nem todos estão prontos
Para o que é próprio do humano
Por que então brota o riso fácil?
Provavelmente porque o humano em
Sua essência  é assim mesmo:
Pura contradição e disfarce
Disfarça suas dores e seus litígios
O riso como escudo e o abraço como arma
Nem todos podem ser autênticos
O que quer dizer que uns poucos são
Uns que podem sentir outros puramente
Puramente como um ser sem maldade
Ainda assim ser humano?
Como possibilidade de fundar um mundo
Onde o que importa é a força do momento
Também o da não conformação a regras
O viver sempre em contato com o novo
Mas o autêntico estaria na eterna mudança?
Pelo menos na tentativa de burlar leis
E na festa o riso e é um risco necessário
Onde o verdadeiro riso, sem mácula?
No momento do engano, do absurdo
Da suposta sensação de desamparo do outro
Em um momento em que a infância

Retorna como jogo e como distração

sábado, 2 de novembro de 2013

Acre-doce

Favos adocicados do mais puro mel
Que boca terá o prazer de tocá-los?
Lembranças são evocadas sem que a dor morra
Imagens que marcam tempo passado
Uma só mensagem bastaria para revelar
O acre-doce ato que derruba homem forte
E longe de buscar rotas outras alteradas

É em direção à morte que caminham os condenados à vida

As curvas do teu corpo

As curvas do teu corpo
Não são as curvas da Estrada de Santos
Mas enlouquecem tanto quanto
Um labirinto ao ser percorrido
As curvas do teu corpo
São cada ruga do meu rosto
Marcam minha hora e minha morte



Alteridade


No movimento alienante de uma letra
Calco um saber e ali me inspiro
Informações vazam-me poros indefesos
O que sou é o que são os outros
Nunca vivo em mim como em ti
Minha consciência alhures situa-se
No movimento alienante de uma letra
Um nome que sustenta mente que balança
O que suporto é o que é possível suportar
Se não enlouqueço é por mera distração
Gosto de ouvir um cantar agoniante
Mas não me aproximo do sofrimento alheio
O que o outro é é por si só
Se nele me enlouqueço, paciência!

Movimento Retilíneo

Meus amigos distanciam-se aos poucos
Mas isso não é da ordem do insuportável
Meu coração destroçado está
Por viagens passionais deveras feitas
Mas isso não é da ordem do insuportável
O mundo gira desde sempre em falso eixo
Demasiada crueldade entra nos cálculos humanos
Mas isso não é da ordem do insuportável
A Barbárie reina em trono de sangue
Os homens matam-se por um pouco de paz
Dualidade que produz sentido e vida
E isso às vezes é da ordem do insuportável
Cantos sagrados pelos cantos recônditos
Abruções que mais lameiam que clareiam
A vida segue aos trancos e barrancos
Insuportável seria medir-se tempo todo
Que viver deleteriamente no esquecimento