sábado, 7 de setembro de 2013

O banquete


Traga-me uma chávena de chá
Oh, Muriaki
Concubina de doçura sem fim
Vem teu amo satisfazer
A tua sede sem fim arrefecer
Beija-me os lábios e marca
Com o açúcar o fim da amargura
Mata minha fome de vida e
Sexo com seus seios fartos
Oh, Muriaki, quantos pontos
Quantas posições de prazer
Tens a capacidade de colocar
Um banquete na casa dos sonhos
Da felicidade e da consequência
Mistérios que tu dissipas

Com seu hálito benfazejo

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Velório

Carcomidas mãos que velam um morto
Quase seu corpo morto também
Lábios tremendo balbuciando orações
A um que tem caminho a atravessar
Morto, corpo para um lado, a alma
Para lugar eternamente desconhecido
As mãos carcomidas contam o rosário
Quantas rezas precisa, meu Deus!
Para a salvação de um que se perdeu?
Perder-se em vida e tentar tarde
Encontrar-se novamente na morte
Talvez, talvez, talvez...
Busca-se exatamente esse momento
Encontrar-se na morte
Por que estão os pulsos cortados
Por que está o pescoço dilacerado?
Ainda assim a velha não reza em vão

Pois reza para si mesma

domingo, 1 de setembro de 2013

Nervos

Sangra mil vezes a terra onde vivo...
Um rapaz simplório com garrafa na mão
Esquálido olhando o filho em passo
Já foi o tempo de sua beleza
Agora é o tempo de sua queda eterna
Vive como fantasma sem rumo
A vida oprime e cobra-lhe o preço
Aspecto feito e não assumido
À flor da pele manchas azuis
Por onde corre o sangue vermelho
Protuberâncias sinais de morte
Que nunca chega e sempre vem
Little-boy, satisfação em conhecê-lo
E despeço-me porque a hora chegou
A garrafa explode em pedra achada
Caco avançando veia a dentro
O vermelho por cima do filho
Duas gargantas, duas mortes
Pai, filho e... o pássaro canta

Nervos... ilusões


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Paisagem

 Árvores trepidam ao saber do doce vento
O campo abre-se a pés descalços e caleados
Paisagens inebriantes apreciadas de fora
Rios que se formam de águas em movimento
Ainda imagem que homens velam sem medo
Uns por trabalho e outros por diversão
Cada um à sua maneira campeia
Em cada vão, em cada torrão de grama
Um grilo, uma rã, vida em profusão
Uns passam e outros se demoram
Uns insensíveis, outros com olhos marejados
O campo e as montanhas
O córrego a seus pés
Onde nadam crianças nuas
Sem a percepção da louca vergonha
O milharal, o trigo, o arroz
Animais comendo no pasto
Casais perfilados e homogêneos
Homens sem destino e sem desespero
Imagem rápida, congelada
De um aglomerado de homens

Auschwitz

Agora sim é verdade
O momento supremo chegou
Preparemos nosso coração
Abramos nossa vaga mente
Para esperar o que virá
Saiamos pelo mundo a caminhar
Cumprimentando irmãos
Tão perdidos quanto nós
Agora sim é absoluto
Nosso fim em breve chegará
Despojemo-nos das necessidades
Abandonemos objetos estimados
Saiamos nus à rua
Pois a vergonha não cabe mais
No momento da morte do desejo
Agora sim estamos perto
Da verdade suprema final
Aceitemos e não resistamos
Caminhemos em direção ao destino
Há tempos previsto e esperado
Não importa os que não acreditam
O que vale é a fé de muitos
Lentos, caminhamos em direção
Aos que não pensam ser
Forno que queima sua carne
Que derrete e evapora seus ossos
Morte certa e gazoza

domingo, 25 de agosto de 2013

Um dia na minha vida

Ontem... o que percebi?
Que nada muda e tudo fala
Mudo, falo, mudo, falo
Então ontem senti muito frio
Se não se ouve, pensa-se
Colher resultados da criação
Ontem eu colhi
Mudo e fálico, mudo e fálico
É que não se ouve o que se quer
E fala-se sem saber-se o que
Então: falo mudo, falo surdo
Não controlar e não optar
O mudo falo fala e me muda

Criação

Totem...botem
Tudo no nada
Façam... nuvens
Delas rochas
Pulse... vida
Vegetais e animais
Evolua... homem
Força e razão
Progresso... morte
Estupidez e paixão
Guerra... lucro
Dor e solidão
Mundo... do começo ao fim!